DIVÓRCIO. UMA TRISTE ESCOLHA

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de 1990 a 1998 o número de divórcios no Brasil cresceu 29,7%. Em 1991 o total de divorciados foi de 81.128, oito anos depois(1998) o IBGE registrou um número de 105.252 casos de divórcios no país. Quer dizer, para cada grupo de 100 casamentos realizados, ocorrem hoje cerca de 30 separações.

Os números apenas mostram uma realidade que já conhecemos e que se torna cada dia mais freqüente em nosso meio: o divórcio de nossos parentes e amigos. Mas por que essa escolha tem sido mais considerada hoje em dia?

Uma das razões é obvia. No Brasil, há um tempo atrás o divórcio nem existia, e era algo que provocava escândalo. Hoje em dia, já é amparado pela lei e é socialmente aceito, até se falando do meio cristão.

Pessoas já começam a falar num novo conceito familiar, uma “evolução” no sistema social, uma quebra do tradicionalismo. São palavras e conceitos enganadores que atraem os muitos idealistas que se esquecem de ligar essa teoria à contraditória realidade dos lares desfeitos.

Idealistas esses, que se deixam levar pelos sonhos de um amor romântico, perfeito, sem problemas, sem discórdias, sem fim, cada um sendo exatamente o que seu parceiro gostaria que ele fosse. Sonhos esses vendidos por canções e filmes de Hollywood. Sonhos que ninguém alcança, mas pelo contrário, na busca por um ideal ilusório, longe das instruções de Deus, vai se construindo uma multidão de magoados, feridos, decepcionados, irados, abandonados e solitários.

Muitos, hoje em dia, já não estão dispostos a enfrentar e procurar solucionar os problemas que vão surgindo nos lares ao longo do casamento. As brigas vão se acumulando, as acusações, as mágoas e, em vez de procurarem resolver esses problemas pela raiz, o cortam pelos galhos escolhendo o divórcio. O problema é que os galhos nascem de novo. E Deus não quer dessa forma. Não foi por acaso que Deus condenou o divórcio. Ao instituir o casamento, Deus o classificou de pacto e estabeleceu regras. Lamentavelmente, o casamento vem perdendo esse seu verdadeiro significado.

Por outro lado, muitos respeitam o fato de que Deus tem algo a ver com o pacto matrimonial, tanto é que muitos ainda se casam na igreja por esse motivo. Quando o pastor invoca o nome de Deus, os noivos entendem que um pacto está sendo estabelecido pelo Senhor, e isso elas querem ouvir. Querem que Deus aprove o casamento, mas por outro lado, quando os problemas surgem, não querem que Ele se envolva no divórcio.

Deus sabe que o divórcio não apenas termina um casamento, como também envolve a quebra de um pacto. “Quando alguém se casa, faz um juramento. Ela promete amar, cuidar e honrar o parceiro “até que a morte os separe” ”. O que não é de se estranhar que Deus odeie o divórcio: “Eu odeio o divórcio; eu odeio o homem que faz uma coisa tão cruel assim. Portanto, tenham cuidado e que ninguém seja infiel à sua mulher” (Ml. 2:16). Posso divorciar-me? Talvez seja essa sua pergunta neste exato momento. Sabemos que muitas vezes é difícil aceitarmos até mesmo o que Deus nos ensinou, porém, não custa nada tentar ouvir o que Ele tem para nos dizer. Infelizmente também sabemos que a prática do divórcio não só tem sido uma constante na vida de não crentes, assim como, na vida de muitos crentes dentro das igrejas. Alimentado por desculpas do tipo: “O divórcio é a única solução”, ou, “se não der certo separa”.

Ao considerar a prática do divórcio um pecado, Deus nos dá três razões básicas as quais devemos observar: Primeiro, Deus disse: “Portanto, o que Deus ajuntou, não separe o homem(Mc. 10:9). Segundo, é pecaminoso por causa do que o homem faz à sua companheira, quando ele se divorcia dela. Jesus disse que ele a expõe a cometer adultério (Mt. 5:32). Fazer com que o outro tropece e se perca é um pecado tremendamente horrível (Mt. 18:6). Terceiro, o divórcio é pecaminoso, “porque eu prometi ficar com minha esposa até que a morte nos separe”. Deus detesta a mentira e a quebra da promessa (Apocalipse 21:8; Rm. 1:31).

Para o Rev. Adalto Lins dos Anjos do Colégio Presbiteriano Agnes o divórcio acontece quando falta amor, tolerância, respeito e humildade entre os casais que enfrentam um mundo conturbado, cheio de novas realidades, paradigmas e conceitos. Como advogado ele conta que muitos casais que o procuravam para se divorciar depois de uma conversa desistiam da separação. “Eu os aconselhava e mostrava que eles estavam errados, e que o remédio contra o divórcio é o bom casamento, é cada cônjuge não pensar em auto-realização, mas na realização um do outro, pensar na família, colocar Deus no centro de tudo. Um grande problema é que nós estamos muito separados de Deus. Agora, infelizmente existe no meio evangélico e em todas as igrejas muitos divórcios e novos casamentos”, afirma. “Agora, se Deus uniu, se eles se respeitam, se eles se admiram e se têm suas crises, mas procuram resolver suas crises, compartilham, dialogam, conversam e sempre permanecem juntos, esse é o antídoto contra o divórcio”, acrescenta.

Para o reverendo, não existe melhor conselheiro do que Deus para ajudar um casal em crise. Ele diz: “Quando um homem tem uma crise, ele corre logo para um outro que se separou, e o que é que essa pessoa vai dizer? “A melhor coisa que fiz foi me separar”, às vezes não é verdade. A mulher por sua vez, quando tem um problema corre para os braços de uma amiga que também já se separou e ela vai dizer a mesma coisa, que estava numa pior e que não dá o braço a torcer”, conta. “Conheci um homem que está no 5º relacionamento e perguntei a ele: dessas cinco mulheres que você já teve qual foi a melhor? Ele respondeu que tinha sido a primeira. Nenhuma substitui a primeira, é o primeiro amor”, finaliza.

Robert J. Plekker diz que por causa do pecado e a queda do homem, não podemos nos dar ao luxo de recuarmos diante das palavras inflexíveis de Deus sobre o divórcio. Em seu livro Divórcio À Luz da Bíblia ele nos fala de quatro situações nas quais o divórcio ocorre, são eles: o divórcio entre crentes, o repúdio de um não crente por um crente, o repúdio de um crente por um não crente e o divórcio entre dois não crentes.

Os crentes casados não têm a permissão para se divorciarem ou casarem de novo após um divórcio. Deus sabiamente forneceu diretrizes para o casamento, e não provisões para o divórcio e o novo casamento, defende Robert. “E ele sabe que alguns crentes se “divorciarão” apesar dos seus avisos. Ele disse: “Você pensa que pode obter um divórcio civil por qualquer motivo, mas realmente você não pode”.(Mt 19:6). “Você não estará divorciado, de modo algum”(Mt.19:9, Mc. 10:11,12); de fato, você ainda está casado com o seu cônjuge original até serem separados pela morte(I Cor. 7:39). E se você desobedecer estará cometendo adultério(Mt 5:32, Lc. 16:18)”. “Aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. Se, porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido; e que o marido não se aparte de sua mulher”, completa.

O divórcio não é permitido entre um crente e um descrente caso este último deseje permanecer casado, lembra Robert. Segundo Paulo: “Se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido”. (I Cor. 7:12.13). No versículo 14 o apóstolo Paulo completa: “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa crente. Doutra sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”. Os relacionamentos conjugais são santificados pela espiritualidade de cada cônjuge.

“A separação (não divórcio) é permitida entre um crente e um descrente caso este último insista nisso”, ressalta. Em I Cor. 7:15 Paulo diz: “Mas se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz”.

Todos os crentes são claramente advertidos a não se colocarem sob jugo desigual com descrentes (2 Cor. 6:14). Esta advertência se aplica a muitas áreas na vida, mas principalmente ao casamento.

“A Bíblia não fala diretamente sobre o assunto do divórcio entre dois incrédulos; porém, as implicações do Senhor com relação à essa questão são claras. Mesmo que Deus tenha permitido às pessoas do Velho Testamento se divorciarem (por causa dos seus corações endurecidos), está claro que não era a vontade perfeita de Deus. Os incrédulos se divorciam várias vezes por qualquer motivo. Isso acontece porque não temem a Deus e não confiam em sua Palavra.

Ele diz ainda que 38% de todos os primeiros casamentos realizados nos Estados Unidos terminam em divórcio. E que em 1978 houve 1.120.000 divórcios envolveram 1.122.000 crianças inocentes. Enquanto 80% dos interrogados afirmaram que eles só deviam ter uma esposa, 33% responderam que o casamento deveria durar toda a vida. No entanto, apenas 62% permanecem casados até serem separados pela morte.

Desculpas para o divórcio Muitas pessoas procuram justificativas para suas atitudes, muitas delas baseadas em princípios errados. Vejamos como essas desculpas dadas para o divórcio não têm fundamentos bíblicos.

Sei que Deus não quer que eu viva uma vida infeliz! – Deus realmente não quer, e é por isso que ele odeia o Divórcio, não só pela sua infelicidade como também a do seu parceiro. É fácil colocar a culpa da infelicidade em seu cônjuge e não olhar para si mesmo. A bíblia fala em I Pedro 3:10-12 “quem quiser amar a vida e viver dias felizes, guarde sua língua do mal e seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem…”. A felicidade depende muito mais de nossa comunhão com Deus, nossa gratidão por tudo que Ele nos tem abençoado, e nossas próprias atitudes do que com o que os outros podem causar a nós. Deus tem a capacidade de ver muito mais erros e defeitos em nós do que conseguimos ver no nosso cônjuge. Mas Ele nunca deixou de nos amar.

Não suporto mais o meu cônjuge. Eu o odeio! – Muitos perguntam “O que você prefere que eu faça, que me divorcie ou continue casado o resto de meus dias vivendo no pecado do ódio?”. Que princípios egoístas e convenientes! Enquanto justifica o próprio ódio como culpa do outro impõe a condição mais fácil, e menos virtuosa, para jogar o problema debaixo do tapete. Essa pergunta é enganosa pelo seguinte problema: o ódio não acaba com o divórcio, mas sim com o amor e o perdão. A nossa responsabilidade, acima de tudo, é com nossos próprios sentimentos, nossas atitudes, nosso relacionamento com Deus.

Separar-se de alguém por tédio, impaciência, brigas, são desculpas inaceitáveis. A solução está em saber que precisam se sacrificar mais, perdoar mais, conversar mais e com interesse, mansidão, e não olhar para o outro, mas para o que você mesmo pode fazer, procurando a ajuda e a orientação de Deus.

O nosso amor acabou! – Essa afirmação procede de quem não conhece o verdadeiro sentido do amor. O amor não é paixão, não é um sentimento passageiro, uma atração física.

Sabemos que a fonte de todo o amor é Deus. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (I João 4:19). O Espírito Santo coloca amor dentro do coração do crente (Rm 5:5). O amor cristão, portanto, é o fruto maravilhoso do Espírito de Deus. Cristo ordenou que amássemos o nosso próximo como a nós mesmos (Mt 22:39). “O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. (I Cor. 13: 4-7)

O amor é da responsabilidade de cada um. Se Deus nos clama a amarmos até o nosso inimigo, então podemos facilmente amar aquela pessoa que teve tanta presença e significância na nossa vida. Se o amor acabou é sua culpa e não do casamento. O crente deve ter a capacidade de amar mesmo quando não tem retribuição. Precisamos nos dedicar e sacrificar pelo casamento porque isso é uma demonstração de amor. Servir, mesmo sem ser servido, perdoar, mesmo sem ser perdoado, ser bondoso, mesmo com uma pessoa que não demonstre bondade, paciente com o irritado. É difícil? Mas não foi isso que Cristo viveu em nosso meio? Isso é amor.

Nós somos incompatíveis! – A questão não é incompatibilidade, mas diferenças. Todos nós temos nossas diferenças um do outro, Deus nos criou assim, e temos de aprender a lidar com isso. Desde que um seja homem e o outro seja mulher, não há incompatibilidade. Agora, é preciso se sacrificar um pouco para aceitar as diferenças do seu parceiro em vez de pensar que tudo tem de ser do seu jeito. Essa questão está respondida na humildade. Se realmente estamos interessados, e deveríamos estar, a leitura sobre o assunto e o aconselhamento conjugal pode ajudar bastante ao casal se conhecer melhor e aprender a como amar e agradar o outro com mais intensidade.

Certamente o nosso casamento não foi feito no céu! – Essa afirmação poderia ser questionada facilmente pelos princípios bíblicos. Se o casamento não foi feito no céu, então não foi feito. Isso quer dizer que houve relações sexuais entre solteiros, fornicação, o que a Palavra de Deus não apóia (ver versículo). E se isso é verdade, a Bíblia orienta que o casal solteiro que mantém relações sexuais fora do casamento deve se casar (Deut. 22:28,29). Ou seja, não há saída.

Outro ponto, é que você fez, durante a celebração do casamento, uma promessa para sua esposa (ou marido) de que você estaria a seu lado pelo resto da vida (Apoc. 21:8). Deus odeia a quebra de promessas. Imagine você, se Deus quebrasse Suas promessas? Nem Cristo haveria habitado entre nós! Nem a Salvação estava garantida.

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